sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Curiosidade: O Homem sem rosto

                           

Nossa curiosidade é o senhor José Mestre, de 51 anos de idade. Ele ficou conhecido por ter a face completamente desfigurada não se lhe reconhecendo qualquer contorno do rosto. Há mais de vinte anos que é pedinte no largo do Rossio por não ser capaz de arranjar trabalho nestas circunstâncias. O tumor que aumenta desde os tempos de adolescente tem de momento dez quilos.
Ele tem se recusado fazer qualquer tipo de cirurgia devido à sua opção religiosa, testemunha de Jeová, que é contra a transfusão de sangue. E é este aspecto que me faz escrever este post. Como é possível recusar-se por diversas vezes qualquer tipo de ajuda médica apenas por opção religiosa? Como é possível não tentar acabar com esse sofrimento diário? José Mestre neste momento está cego de um olho, mal consegue comer e começa a ter problemas respiratórios. É preciso ser muito crente para que não deixasse fazer qualquer cirurgia ao seu rosto por uma opção religiosa. E se ele é assim tão crente com certeza que o seu Deus o compreenderia, não? Afinal trata-se da vida dele, e vida só há uma. Desde criança que me lembro deste homem sentado perto do café Nicola estendendo a mão mostrando o bilhete de identidade de quando era novo, ainda no começo do tumor, e desde essa altura que me faz impressão a sua cara, o seu aspecto, e penso nas dificuldades diárias que deve passar todos os dias. Por isso mesmo, se fosse eu, faria de tudo para que melhorasse não ligando a religião alguma. Ele não, recusou-se sempre, manteve-se fiel à sua crença...
Hoje, até parece que aceitou a cirurgia de uma equipa de médicos britânica que, através de ondas ultra sónicas, irão coagular o sangue antes de cada cirurgia para que não seja necessário qualquer transfusão. É preciso muita fé para se ser tão relutante em aceitar a transfusão de sangue e é difícil pensar que há pessoas assim. Basta pensar nos árabes que se fazem explodir por uma causa que, penso só eles compreendem. São pessoas que levam a religião de uma maneira totalmente diferente daquela que se deve ter. A vida é o máximo da religião, seja ela qual for, e tem de funcionar como mecanismo espiritual para aumentá-la ainda mais, nunca como entrave para se ter saúde. A José Mestre só espero que corra tudo bem e que, daqui a algum tempo, possam olhar para ele sem nenhum tipo de preconceito ou descriminação. A ele, tudo do melhor.
 
No ResumoGeraldoAgreste 
Do Agreste Noticias

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