quarta-feira, 17 de julho de 2013

Bebê prematuro morre e hospital orienta pai a colocar o corpo do filho na geladeira


beb___min_ecfece-969652Sueli Cardoso e Manoel Tavora são pais de oito filhos e esperavam a chegada de um casal de gêmeos. A empregada doméstica, de 34 anos, caminhava para o sexto mês de gestação, quando a bolsa rompeu e ela entrou em trabalho de parto na tarde do último sábado (13), na localidade de Ilha do Gato, zona rural de Itapemirim, na região Sul do Espírito Santo. Sueli foi levada para o Hospital Menino Jesus, no distrito de Itaipava, que é administrado pelo Hospital Evangélico. Como ainda era prematuro, o primeiro bebê, um menino, nasceu, mas acabou morrendo após dez minutos. Para tentar salvar o segundo bebê, uma menina, a empregada doméstica foi encaminhada para o Hospital Evangélico de Cachoeiro de Itapemirim, também na região Sul do Estado. A menina foi retirada já sem vida da barriga da mãe, no final da noite de sábado (13).
Se já não bastasse o sofrimento dos pais com a perda dos dois filhos, o pai das crianças, o lavrador Manoel Tabora, de 34 anos, foi surpreendido com uma orientação no mínimo estranha, na hora em que foi buscar o corpo do filho, no Hospital Menino Jesus, em Itaipava: manter o bebê na geladeira até a hora do sepultamento. Sem qualquer justificativa por parte do hospital, mas com receio de descumprir a orientação, Manoel colocou o corpo do menino na geladeira da casa da família, mesmo achando o fato muito esquisito.

“Entregaram a criança dentro de uma caixinha de papelão lacrada com esparadrapo. A caixa estava identificada com o nome da minha irmã e a data do parto. Entregaram ao meu cunhado e disseram a ele que colocasse na geladeira até o dia do sepultamento. Não deram justificativa alguma para isso e na funerária, quando contamos o episódio, o rapaz disse inclusive que nunca tinha visto isso acontecer. Também entregaram ao pai as declarações de nascimento e morte do bebê, e pediram para que ele oficializasse o documento no cartório e levasse uma cópia de volta ao hospital”, contou a professora Deuzinéia Cardoso, irmã da gestante.

Hospital Menino Jesus orienta pai a colocar o corpo do filho morto dentro da geladeira

Sueli Dalmazio Cardoso, ficou indignada com o descaso do Hospital Menino Jesus em Itapemirim (Foto; Marcos Kito)
Sueli Dalmazio Cardoso, ficou indignada com o descaso do Hospital Menino Jesus em Itapemirim 

Sueli e Manoel têm oito filhos, quatro meninos e quatro meninas, com idades entre um e 15 anos, entre eles um casal de gêmeos, de seis anos de idade. Segundo Deuzinéia Cardoso, de 27 anos, as crianças viram o irmãozinho dentro da geladeira e ficaram assustadas.
“Quando cheguei na casa deles para ver os meus sobrinhos, eles disseram: ‘Tia, meu irmãozinho está lá na geladeira’. Uma cena muito triste. É uma família muito humilde, e na geladeira onde essas crianças bebem água, eles tiveram que ver o irmãozinho deles ali. Não é uma coisa comum, tenho até medo do que essas crianças estão pensando agora”, afirmou a tia dos meninos.
Ao contrário do que aconteceu no Hospital Menino Jesus, o corpo da menina que morreu após dez minutos de nascimento no Hospital Evangélico de Cachoeiro de Itapemirim só foi liberado com a chegada de uma funerária.
Hospital abre investigação
O Hospital Evangélico, que administra o Hospital Menino Jesus, informou que abriu nesta segunda-feira (15) um processo para investigar o que aconteceu e tomar as medidas cabíveis administrativamente. Uma comissão, formada por um médico, um enfermeiro, um membro do setor administrativo e um técnico de enfermagem tem prazo de 10 dias para concluir a investigação. O hospital afirma ainda que irá ouvir todas as partes envolvidas, inclusive o pai da criança.


Resumo Geral
Fonte: Gazeta Online

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