terça-feira, 24 de setembro de 2013

Espionagem: Dilma agravará divergências entre o Brasil e o Estados Unidos durante discurso na ONU; Entenda

Espionagem: Dilma agravará divergências entre o Brasil e o Estados Unidos durante discurso na ONU; EntendaA abertura da 68ª Assembleia Geral das Nações Unidas — na qual a presidente Dilma Rousseff faz nesta terça-feira o discurso inaugural, seguido do pronunciamento do presidente Barack Obama — vai acentuar as divergências entre Brasil e Estados Unidos sobre o programa de espionagem americano.

Dilma fará do tópico um dos motes de sua apresentação, na qual defenderá uma regulação global, aprovada pela comunidade internacional, para acesso à internet e as atividades de Inteligência. A Casa Branca, porém, sinalizou que Obama não tocará no tema e que o presidente acredita que o tópico não deve ser debatido em âmbito multilateral.

O chanceler Luiz Alberto Figueiredo e o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, deverão ter um encontro reservado entre quarta-feira e sexta-feira para discutir o tema e a tensão na relação bilateral. Há duas semanas, o ministro de Relações Exteriores se reuniu com a chefe do Conselho de Segurança Nacional, Susan Rice, mas não houve avanços.

Seis dias depois, após conversarem por telefone, Dilma e Obama anunciaram o cancelamento da visita de Estado que ela faria a Washington em 23 de outubro, devido à insatisfação brasileira com a falta de respostas concretas dos americanos sobre a espionagem de autoridades — incluindo a própria presidente — e de alvos empresariais e civis no Brasil.

Dilma e Obama não têm reunião oficial marcada nesta passagem por Nova York. Eles deverão se encontrar apenas nos bastidores da ONU, entre os discursos de ambos. A presidente não havia decidido ontem se ficaria no plenário para ouvir o pronunciamento de Obama.

Em seu discurso, Dilma reclamará do ataque à soberania dos países que o monitoramento ostensivo da Agência de Segurança Nacional (NSA) representa. Ela dirá aos chefes de Estado que a atividade de espionagem deve ser disciplinada por um arcabouço comum, desenhado e acordado pela comunidade internacional.

Obama deverá se esquivar do debate. O americano centrará seu discurso nos desafios no Oriente Médio, como as negociações para desarmamento químico da Síria, a recém-sinalização do Irã de que está aberto a discutir seu programa nuclear, a retomada das conversas entre Israel e Palestina e a transição política em países como o Egito.

Segundo Ben Rhodes, assessor especial da Casa Branca, os EUA estão revisando seu programa de espionagem, para aperfeiçoá-lo e garantir que são “apropriados”, mas mantêm a posição de que “devem ter uma comunidade de inteligência muito robusta”. Obama continua disposto a conversar com outros líderes sobre o tema, mas Rhodes indicou que esta troca deve ser bilateral, não em fóruns internacionais.

— Sobre NSA, eu acho que é um tema em andamento que teremos de tratar adiante com um conjunto de países — disse Rhodes, em conversa com jornalistas sexta-feira passada.

Os EUA já declinaram proposta brasileira para um acordo bilateral que discipline o acesso dos governos à comunicação eletrônica e telefônica de cidadãos dos dois países, no fim de agosto. Os americanos também não se desculparam ou apresentaram justificativas para o monitoramento, tampouco detalharam a extensão da espionagem no Brasil.

Nesta segunda-feira, Dilma desembarcou pela manhã em Nova York e passou o dia reunida com sua equipe para arrematar o discurso de abertura da Assembleia Geral. Chegaram com ela os ministros Figueiredo, Fernando Pimentel (Desenvolvimento) e Aloizio Mercadante (Educação).

Dilma recebeu ontem, no fim da tarde, o ex-presidente dos EUA Bill Clinton e a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, que elogiou a reação de Dilma contra a espionagem. Ao sair do encontro, a argentina comentou:

— A condenação e a atitude da presidente Dilma em relação à questão da espionagem é uma posição de dignidade e de defesa da soberania nacional. A espionagem afeta a dignidade da região. São atitudes que não ajudam a criar uma boa relação e um bom clima, o que todos queremos. Acreditávamos que essas coisas estavam superadas, que os valores da democracia tinham triunfado, em respeito ao indivíduo, à privacidade e à soberania dos países – disse Cristina Kirchner na saída do encontro, acrescentando que a questão da Síria também foi abordada pelas duas.

Nesta terça, antes da abertura da assembleia da ONU, Dilma terá um encontro com o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon. Dilma fará ainda um segundo discurso na ONU, na parte da tarde, na primeira sessão do Foro de Alto Nível sobre Desenvolvimento Sustentável, que supervisionará a implementação das deliberações da Rio+20.

Resumo Geral
com o globo

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